Solenidade do Corpo Corpo e Sangue de Cristo - A

Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo – Ano A

Diante da Palavra
Vem, Espírito de Entendimento, ajudar-nos a acolher as palavras de Jesus que «são espírito e vida» (João 6, 63).

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. João (João 6, 51-58)
Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: «Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo». Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?». Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».

Caríssimos irmãos, atraídos pela firmeza da revelação de Jesus aos judeus, somos impelidos a permanecer n`Ele.

Interpelações da Palavra
“Eu sou o pão vivo descido do Céu.
E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo».” (Jo 6, 51)
Nos lugares onde abunda o pão e superabunda a poluição, quais são as maiores necessidades das pessoas? De que modo, Jesus, nos ajuda a suprir essas necessidades? Encontramos n`Ele, no seu modo de viver, a resposta? Acolhemos de Deus o dom de sermos corresponsáveis pela criação?
Nos lugares onde nem, sequer, há água para fazer o pão, somos convidados a reconhecer Jesus nos mais pequeninos: na criança desidratada e desnutrida e na amargura da mãe que não tem com que lhe matar a fome.
A indiferença perante a indigência de quem me rodeia, costuma deflagrar na minha morada? Ou, sou firme na defesa da vida de quem padece?

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna” (Jo 6, 54).
“Carne e sangue separados são símbolo de morte” (Frei Armindo Vaz, OCD). A morte de Jesus foi «escândalo para os judeus e loucura para os gentios» (1 Cor 1, 23) e é para os cinéfilos, no mínimo apavorante. E, para mim, a morte de Jesus é mesmo uma consequência do seu viver totalmente entregue ao cumprimento da vontade de Deus Pai?
Como falar de vida eterna num mundo onde todo o equipamento tem uma garantia de validade, entregue ao cliente no momento de uma compra? A que voltagem necessita ser submetida a nossa existência, para termos a capacidade de conectar com uma realidade menos material e mais profunda, passível de ser concretizada em gestos concretos de bondade, compreensão e perdão?

“Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim” (Jo 6, 57).
A pessoa que “come mesmo a carne do Filho do Homem e bebe o Seu sangue” (Jo 6, 53) sabe-se transformada. “Viver eucaristicamente significa sair das angústias da própria vida e inserir-se no horizonte infinito da vida de Cristo” (Edite Stein). Viver a vida com sentido exige a realização regular de uma análise ao próprio procedimento, libertando o que é tóxico e uma abertura para acolher/receber o “sangue novo” que nos regenera e recria.


Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
“Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador(a)” (Lc 18, 13).
Perdoa a minha contradição:
digo-Te que “tens palavras de vida eterna” (Jo 6, 69)
e, perante as ameaças, nego-Te (cf. Mt 26, 34. 69-75).
Mas… não desistas de mim, te imploro:
sei que, ressuscitado, apareces junto ao lago (cf. Jo 21, 1),
manifestando-Te e acicatando-me,
para eu reconhecer, de verdade, que te amo (cf. Jo 21, 15-23).

Viver a Palavra
Vou procurar o Senhor, não tanto para lhe dizer coisas, mas para escutar o que, na verdade, me quer dizer hoje.

Ir. Florbela Vieira, sfrjs